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Raimundo morreu! Raimundo vive!

Raimundo Rodrigues Pereira morreu neste sábado, 2 de maio de 2026, aos 85 anos. Mente absolutamente brilhante entrou duas vezes no ITA de São José dos Campos (SP). Formado em Física pela USP, poderia escolher qualquer carreira e a exerceria com brilho. Foi seduzido pelo jornalismo. Aos 29 anos, foi trabalhar na então recente revista Veja, da Editora Abril. O lançamento da revista foi um fracasso. Ameaçada de fechar, foi salva por Raimundo com uma série de reportagens sobre a viagem do homem à Lua, que só ele, um físico completo, poderia explicar ao leitor comum.

Em 1969, com ousadia, pegou no ar uma frase de um ministro da ditadura militar dizendo que o ditador de plantão não aceitava tortura e usou-a como pretexto para publicar veementes reportagens denunciando os crimes de tortura praticados pelos militares contra opositores políticos.

Sem espaço na Veja, resolveu se demitir. Juntou companheiros em torno de um projeto de jornal independente. Em 1971, voltou à Editora Abril e comandou a colossal edição especial de Realidade Amazônia. Logo depois apareceu à frente de Opinião, um jornal independente produzido no Rio de Janeiro com financiamento do empresário nacional Fernando Gasparian e uma equipe de jovens jornalistas e artistas gráficos que impactaram a imprensa mesmo enfrentando a censura da ditadura.

Em 1975, realizou a façanha de criar um jornal autofinanciado, chamado Movimento, apoiado em cotas de jornalistas e intelectuais e produzido por uma grande equipe de profissionais engajados na luta contra a ditadura. O jornal já nasceu grande e submetido à censura desde a primeira edição. O veículo teve papel destacado na construção da frente pela democratização e defendeu, desde o início, a exigência de uma anistia ampla, geral e irrestrita. Mais do que isso, lançou a proposta de realização de uma Assembleia Nacional Constituinte, realizada em 1987-1988, a base da democratização da nossa sociedade.

Leia mais: A história do Jornal Movimento

Raimundo seguiu sempre perseguindo seu projeto de uma imprensa independente. Lançou a Editora Política, que publicou em fascículos de grande repercussão a série Retrato do Brasil, mais tarde reunida em livro. No comando da Oficina de Informações, produziu revistas como Reportagem, Manifesto e Retrato do Brasil. Num livro de denúncia contra o Bank of America, conseguiu vitória nos tribunais que lhe rendeu recursos para continuar financiando seus projetos por vários anos.

Durante anos, suas revistas, tais como Reportagem e, depois, Retrato do Brasil, circularam mensalmente, sempre buscando fatos relevantes para a produção de brilhantes reportagens sobre a economia, a política nacional e temas sociais e culturais, com a colaboração de uma pequena e engajada equipe. Assuntos mais importantes, como o chamado Mensalão, transformaram-se em séries e, posteriormente, foram reunidos em livros.

Afastou-se, após o falecimento de sua companheira, Sizue Imanishi, alguns anos atrás, e foi viver junto às suas filhas, no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro (RJ).

Está na seleta lista dos maiores jornalistas brasileiros dos séculos XX e XXI. Agora, o grande guerreiro desfrutará do descanso merecido. Viverá para sempre!

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