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Ricos usam o Estado como balcão de negócios

balcão de negócios. PUNIÇÃO. UP defende confisco dos bens de todos os corruptos. Foto: Donavan Sampaio (JAV/DF)

O escândalo bilionário do Banco Master escancara que os ricos fazem de tudo para aumentar seus lucros e privilégios.

Samara Martins (UP) | Pré-candidata a Presidente


BRASIL – O escândalo do Banco Master, um dos maiores esquemas de fraude financeira da história do Brasil, segue trazendo novos capítulos, atores, mentiras e corrupção. Entre sicários, ministros e um pré-candidato a presidente, um fato fica evidente: a classe rica, capitalista, é corrupta por natureza e tudo fará para aumentar seus lucros e privilégios.

O esquema envolveu estados, municípios e fundos de previdência de aposentados, em que prefeitos e governadores investiram recursos de aposentados e pensionistas no Banco Master. O Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, até então governado por Cláudio Castro (PL), investiu quase R$ 3 bilhões na instituição por meio do fundo Rioprevidência. No final de maio, a oitava fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), apontou que esses “investimentos” aconteceram após vários encontros de Castro com Daniel Vorcaro, sendo um deles um jantar em Nova York que custou R$ 60.000,00, pagos pelo banqueiro. No Amapá, o valor chegou a R$ 400 milhões. Quatro cidades do Estado de São Paulo também estão envolvidas nesse esquema.

Flávio Bolsonaro, aspirante a sucessor do pai na Presidência da República, já demonstrou, por diversas vezes, que pretende, se ganhar, defender apenas os interesses da sua família e seus amigos, tal qual fez Jair Bolsonaro. Tal pai, tal filho.

A ficha dele é longa. São inúmeras acusações, como “rachadinha” (desvio de salários de funcionários); homenagens a milicianos envolvidos com o “escritório do crime”; compra de casas com dinheiro vivo e mansão de R$ 6 milhões com financiamento do Banco de Brasília (BRB) – instituição também investigada por envolvimento no escândalo do Banco Master.

E tem mais: Flávio Bolsonaro também enviou emendas para ONG suspeita de integrar esquema de desvio de recursos públicos e ligada aos irmãos Brazão, milicianos condenados pelo assassinato de Marielle Franco.

No último mês, após negar qualquer tipo de envolvimento, chamar jornalistas de mentirosos, vêm à tona seus áudios chamando de “irmão” o chefe de todo esse esquema de corrupção financeira. Essa irmandade vale R$ 134 milhões (cerca de 26 milhões de dólares) para suposto financiamento do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, “Dark Horse”. Nada patriota!

Entendendo a trama

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025, após uma série de irregularidades financeiras que culminaram na prisão de seu proprietário, Daniel Vorcaro, que tentou vender o banco para o BRB. A negociação se transformou em um escândalo bilionário quando se descobriu que os ativos oferecidos ao BRB eram fraudulentos, sem lastro real. Segundo investigações da PF, há indícios de que o BRB estava ciente de que estava adquirindo “ativos podres”, sugerindo uma possível participação no esquema.

A Reag, outra instituição financeira também liquidada pelo BC, estava conectada ao Master através de uma extensa rede de fundos de investimento. Entre esses fundos, destaca-se um que fez parceria com a família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) José Dias Toffoli. O cunhado de Vorcaro também aparece ligado a esses fundos, evidenciando as conexões familiares no esquema.

Essa conexão se expande à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, que aparece como representante do Master em um processo que investiga o empresário Nelson Tanure por crimes contra o mercado de capitais. O banco tinha um contrato de honorários no valor de R$ 129 milhões com o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, do qual Viviane faz parte.

O caso do Banco Master também envolve a venda de créditos consignados para pensionistas, um escândalo que alcançou o INSS e motivou a criação de uma CPMI para investigar o assunto.

“O crime do rico a lei o cobre”

Nesse escândalo, a classe rica cometeu crime contra o Sistema Financeiro Nacional (SFN); gestão fraudulenta; desvio de recursos; indução a erro de repartição pública e fraude à fiscalização ou ao investidor; associação criminosa; corrupção passiva, etc. E esses criminosos de colarinho branco financiam candidatos, partidos políticos e assim vão montando suas bancadas nas Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas, Câmara Federal e Senado e, em um cinismo típico dos que roubam a pátria, tentam chegar à Presidência da República.

Fica evidente que os ricos usam o Estado brasileiro como um grande balcão de negócios e, sem nenhum escrúpulo, negociam, em benefício próprio, as riquezas nacionais, desviam o dinheiro de quem trabalhou a vida inteira e esperava usufruir do sacrifício feito para ter reservas para garantir o mínimo após a aposentadoria.

A candidatura de Flávio Bolsonaro é exatamente a expressão do que é o fascismo. Envolvimento em escândalos de corrupção e com milicianos, a defesa da entrega do patrimônio do povo brasileiro a empresas estrangeiras, submissão ao imperialismo estadunidense, retirada de direitos e aumento da exploração sobre os trabalhadores.

O que defende nosso partido?

Dentre os 25 pontos do programa da Unidade Popular (UP), está a defesa de “julgamento, prisão e confisco dos bens de todos os corruptos”. Daniel Vorcaro tem um patrimônio declarado de R$ 2,6 bilhões. Sua fortuna teve um crescimento meteórico nos últimos 10 anos em mais de 600%, período que coincide com as movimentações financeiras fraudulentas ou suspeitas e os enormes desvios apontados pelas investigações.

Toda fortuna é fruto da exploração, pois as riquezas são produzidas pelas trabalhadoras e trabalhadores e são apropriadas pelas classes ricas. Mas, neste caso, essa apropriação se torna ainda mais ilegítima, pois é fruto de roubo, enganação e desvios de dinheiro público. Toda essa riqueza roubada do povo brasileiro deve ser confiscada e restituída à sociedade. Essas medidas devem ser feitas como forma de combater os ladrões de terno e gravata, a classe dos patrões, dos banqueiros, dos especuladores.

A nossa pré-candidatura não apertará a mão, nem chamará de “irmão” esses criminosos, não estará em jantares de conversas sorridentes com fascistas corruptos brasileiros ou estrangeiros. Nós nos propomos a colocá-los na cadeia,  responsabilizar seus partidos e representantes políticos, como Flávio Bolsonaro e demais parlamentares da extrema-direita, lambe-botas de bilionários e generais fascistas.

Para acabar com a corrupção no Brasil é preciso acabar com sua verdadeira causa, o sistema capitalista. Por isso, somos, antes de tudo, uma pré-candidatura da luta do programa da Revolução Socialista. A vitória alcançada na luta pelo fim da escala 6X1 – que deve estar aliada à luta pelo aumento de 100% do salário mínimo – deixou ainda mais evidente o caminho que devemos seguir: ocupar as ruas, fazer lutas, greves, manifestações e construir um gigantesco partido, a Unidade Popular.

Matéria publicada na edição impressa nº 335 do jornal A Verdade