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Servidores Municipais de São Paulo lutam contra a gestão privatista de Ricardo Nunes

ESTADO DE GREVE. Servidores de SP em campanha salarial. Foto: CONFETAM

Com salários corroídos e serviços públicos ameaçados pela terceirização, os servidores municipais de São Paulo declararam estado de greve em 2026, exigindo valorização e condições dignas de trabalho.

Movimento Luta de Classes | São Paulo (SP)


TRABALHADOR UNIDO – Os servidores municipais de São Paulo declararam estado de greve na Campanha Salarial de 2026. A categoria denuncia um cenário crítico de precarização imposto pela Prefeitura, marcado pela terceirização desenfreada, pela falta de profissionais concursados e por um arrocho salarial que corrói a dignidade de quem faz a cidade funcionar.

O funcionalismo enfrenta diariamente a tentativa da gestão municipal de transferir equipamentos públicos para Organizações Sociais (Oss), como no caso do Hospital Municipal do Tatuapé. Para os trabalhadores, o que o governo classifica como “gestão” representa, na verdade, um desmonte da estrutura pública.

Os servidores exigem respeito e valorização real para reverter a atual política punitivista. Além de recomposição salarial, a luta se amplia por contratação imediata por concurso público, condições dignas de trabalho, respeito aos aposentados e servidores adoecidos, política real digna de inclusão escolar, saúde e segurança no trabalho.

Em defesa da saúde e da educação

Os profissionais da saúde permanecem na luta pela reabertura da Maternidade do Hospital do Servidor Público Municipal, cujo atendimento foi cedido, via leilão, para uma instituição de saúde privada absolutamente precária, que colocou a vida de gestantes e bebês em risco.

Educadores e profissionais da educação denunciam a precariedade da política de inclusão na rede municipal, sem convocação dos aprovados em concursos anteriores e priorizando contratos temporários para professores e quadro de apoio. É alarmante a superlotação das salas e a falta de profissionais de apoio especializado para alunos com deficiência e neuroatípicos. Com as terceirizações e sem estrutura, a Prefeitura sobrecarrega os professores e compromete o aprendizado, transformando a inclusão em um processo de exclusão de estudantes e adoecimento da categoria.

Os trabalhadores que atuam na ponta do serviço público reforçam que o modelo de terceirização por OSs tem se mostrado um terreno fértil para a corrupção. O que já aconteceu em recente escândalo envolvendo uma OS que atua na saúde da região central. As secretarias municipais operam com grande falta de pessoal, os demais estão trabalhando no limite para que serviços essenciais não sejam paralisados.

A arrecadação prevista para a Prefeitura, em 2026, é de R$ 137 bilhões, e os servidores exigem que os recursos sejam investidos para a nomeação de aprovados e valorização das carreiras, em vez de serem represados ou destinados para obras superfaturadas e contratos irregulares.

Enquanto a categoria luta por recomposição salarial, investigações revelam desvios milionários por meio “empresas de fachada” e notas frias em contratos terceirizados. É inadmissível que o governo mantenha tais esquemas.

A categoria enfrenta um prefeito, Ricardo Nunes (MDB), que, assim como seu comparsa, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), ignora a realidade da cidade e quer entregar de bandeja os serviços públicos para garantir lucro para empresários, impondo condições insustentáveis aos servidores e à população.

Os servidores não se acovardam, pois, além das várias lutas e conquistas, já construíram manifestações com 100 mil pessoas tomando as ruas de São Paulo, enfrentando frio congelante, calor escaldante, bombas de gás, spray de pimenta e cacetetes.

Nessa Campanha Salarial, aconteceram diversas paralisações e a intensificação na mobilização, entendendo que, frente à indiferença por parte da gestão, a estratégia capaz de alcançar uma vitória é a greve unificada das carreiras do funcionalismo.

Matéria publicada na edição impressa nº332 do jornal A Verdade