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STF forma maioria para tornar Eduardo Bolsonaro réu por tentativa de coação

(*) Atualizada às 18h28

Através de plenário virtual da Primeira Turma, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu início nesta sexta-feira (14/11) à avaliação da ação penal contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por tentativa de coação no curso do processo, e, por decisão unânime, tornou o parlamentar réu no processo.

O primeiro voto foi do ministro relator do caso, Alexandre de Moraes, que defendeu a posição de tornar Eduardo réu no processo, argumento que “na presente fase de cognição restrita, há prova da materialidade e indícios razoáveis e suficientes de autoria nas condutas”.

“A grave ameaça materializou-se pela articulação e obtenção de sanções do governo dos Estados Unidos da América”, destacou Moraes, lembrando que o parlamentar está licenciado do cargo e que atualmente se encontra fora do país.

O segundo voto foi do presidente da Primeira Turma, ministro Flávio Dino, que votou junto com a tese do relato, dando o segundo voto para tornar Eduardo Bolsonaro réu no ação penal.

O terceiro voto foi de Cristiano Zanin, que também acompanhou o parecer do relator. Ainda falta um voto, que será entregue pela juíza Cármen Lúcia.

Denúncia

Segundo a denúncia apresentada em setembro deste ano pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, Eduardo tentou intimidar o Judiciário brasileiro em atuação junto ao governo norte-americano para a aplicação de medidas punitivas contra os magistrados do STF, como forma de interferir na ação penal em que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023), era acusado de liderar uma tentativa de golpe de Estado.

Eduardo Bolsonaro viajou aos Estados Unidos em março deste ano, alegando que ele e sua família seriam vítimas de uma perseguição política. Desde então, ele tem difundido diferentes eventos no qual assegura ter tido contato com autoridades norte-americanas próximas ao presidente desse país, Donald Trump.

Em julho deste ano, Trump anunciou a imposição de tarifa de 50% sobre produtos brasileiros que ingressam ao mercado norte-americano com uma carta na qual um dos trechos usa uma suposta “caças às bruxas” a Bolsonaro como justificativa para a medida. A declaração foi comemorada por Eduardo Bolsonaro, na ocasião.

STF forma maioria para tornar Eduardo Bolsonaro réu por tentativa de coação
Eduardo Bolsonaro está vivendo nos Estados Unidos desde março de 2025
Marcelo Camargo / Agência Brasil

Semanas depois, ainda em julho, o governo dos Estados Unidos cancelou os vistos de oito magistrados do STF e do procurador-geral da República, Paulo Gonet – foram poupados os dois ministros nomeados por Bolsonaro para a corte, Kássio Nunes Marques e André Mendonça, e também o ministro Luiz Fux.

Em seguida, também em julho, a Casa Branca anunciou a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes – sanção que foi ampliada em setembro, passando a valer também para a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.

A Lei Magnitsky é um mecanismo previsto na legislação estadunidense usado para punir unilateralmente supostos violadores de direitos humanos no exterior. Entre outros pontos, a medida bloqueia bens e empresas dos alvos da sanção nos Estados Unidos.

Apesar de todas essas sanções, em setembro, Bolsonaro foi condenado pelo STF por golpe de Estado, organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, recebendo uma pena de 27 anos e três meses de prisão em regime fechado.

A condenação de Bolsonaro foi decidida pela primeira turma do STF, com quatro votos declarando o ex-presidente culpado dos crimes, e apenas um para declará-lo inocente. Curiosamente, o único voto pela absolvição foi de Luiz Fux, um dos magistrados que escaparam das sanções norte-americanas.

Últimos votos

Após o voto de Moraes, ainda deverão votar os ministros Cristiano Zanin e Cármem Lúcia, além do presidente da Primeira Turma, o ministro Flávio Dino.

Vale destacar que a Primeira Turma do STF se encontra desfalcada de um integrante, desde a aposentadoria do ministro Luis Roberto Barroso e a transferência de Luiz Fux para a Segunda Turma, ambas ocorrências registradas em outubro passado.

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