
Após dez dias preso ilegalmente em Israel, o ativista brasileiro Thiago Ávila desembarca no Brasil nesta segunda-feira (11). A chegada ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, está prevista para as 16h30, com conexão para Brasília, onde o ativista deve pousar às 23h. A informação foi confirmada através redes sociais do próprio Thiago.
Ávila foi solto por Israel e passou pelo Cairo, no Egito, antes de embarcar rumo ao Brasil. Ele foi deportado junto com o ativista espanhol-palestino Saif Abukeshek, segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel. Ao desembarcar em Barcelona, neste domingo, Saif concedeu entrevista à imprensa e declarou que sua maior preocupação são os palestinos mantidos nos centros de detenção israelenses.
“Não somos heróis, queremos que se fale sobre a Palestina”, disse. “A maior preocupação que temos é a de milhares e milhares de presos palestinos que ficam atrás, que ficam sem defesa, torturados, violados, de uma forma contínua. Você podia ouvir diariamente os gritos a base da tortura que estava recebendo por parte dos agentes israelenses. Israel viola os direitos humanos em qualquer momento, em qualquer espaço. Nós, a sociedade civil, não estamos atuando porque o sistema está falhando. Estamos atuando porque o sistema está desenhado para fazer o que está fazendo, oprimir as pessoas, tirar direitos e permitir que alguns países possam controlar o destino dos outros”, continuou.
Flotilha interceptada em águas internacionais
Thiago e Saif participavam da Global Sumud Flotilla, iniciativa marítima de organizações da sociedade civil com o objetivo de romper o bloqueio israelense imposto à Faixa de Gaza desde 2007. Os dois foram presos quando forças israelenses abordaram uma das embarcações da flotilha em alto-mar, em águas internacionais, que transportava alimentos e itens de sobrevivência destinados à população de Gaza.
Enquanto Thiago e Saif foram levados a Israel para interrogatório, os mais de 100 outros ativistas a bordo de cerca de 20 barcos foram conduzidos à ilha grega de Creta, na Grécia, onde acabaram libertados sem maiores constrangimentos.
Isolamento e maus-tratos
Segundo o Centro Legal para os Direitos das Minorias Árabes em Israel, a ONG Adalah, os dois permaneceram em isolamento total e foram submetidos a maus-tratos durante toda a detenção. A organização ingressou com recurso judicial contra a prisão “arbitrária”, mas um tribunal israelense rejeitou o pedido na quarta-feira passada.
“Desde seu sequestro em águas internacionais até sua detenção ilegal em completo isolamento e os maus-tratos aos quais foram submetidos, as ações das autoridades israelenses foram um ataque punitivo contra uma missão puramente civil. O uso da detenção e do interrogatório contra ativistas e defensores dos direitos humanos é uma tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”, diz a ONG Adalah, em nota oficial.
Pressão internacional e reação do Brasil
A prisão provocou reação imediata em diferentes frentes. O presidente Lula criticou publicamente a extensão da detenção do ativista brasileiro considerando-a “uma ação injustificável do governo de Israel”. Brasil, Espanha e a ONU exigiram garantias de segurança e a soltura imediata dos dois. Ainda assim, Israel manteve a detenção, com o Ministério das Relações Exteriores israelense divulgando nas redes sociais que “Saif Abu Keshek e Thiago Ávila, da ‘flotilha da provocação’, foram deportados após investigação” — e reiterando que Israel “não permitirá nenhuma violação” do bloqueio sobre Gaza.
Missão humanitária e histórico de repressão
A Flotilha Global Sumud havia partido da França, da Espanha e da Itália com carga humanitária, desafiando o cerco imposto por Israel ao enclave palestino. Não foi a primeira tentativa: no ano anterior, a flotilha também foi interceptada por forças israelenses, naquela ocasião próximo às costas do Egito e de Gaza.
Em outubro do ano passado, militares israelenses já haviam detido mais de 450 participantes de outra ação da flotilha, incluindo o próprio Ávila e a ativista sueca Greta Thunberg. Atualmente, segundo os organizadores, 57 embarcações permanecem na Turquia, onde os participantes se reúnem para definir os próximos passos da missão.
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com agências
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