
A nova rodada de bombardeios entre Estados Unidos e Irã agravou nesta quarta-feira (10) a crise no Oriente Médio e tornou ainda mais distante a possibilidade de um cessar-fogo duradouro na região.
A escalada começou após forças norte-americanas atacarem portos, sistemas de vigilância e posições militares iranianas no Estreito de Ormuz, sob a justificativa de responder à derrubada de um helicóptero Apache dos EUA na região.
Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã lançou ataques contra bases militares norte-americanas no Bahrein, Kuwait e Jordânia.
Segundo comunicado divulgado pela imprensa estatal iraniana, a operação atingiu 21 alvos militares dos Estados Unidos e destruiu parte da infraestrutura de bases utilizadas por Washington no Oriente Médio.
O Irã afirmou que a ação foi uma resposta direta à “agressão militar” norte-americana contra seu território.
As autoridades iranianas também advertiram que novas ofensivas dos EUA terão resposta “decisiva e esmagadora”, responsabilizando Washington pelas consequências de uma eventual ampliação do conflito.
Os bombardeios norte-americanos atingiram áreas próximas ao Estreito de Ormuz, região estratégica para o comércio mundial de petróleo e gás. Teerã afirmou que os ataques provocaram danos em instalações civis e militares nas cidades de Jask e Sirik, além da ilha de Qeshm.
A ofensiva ocorre poucos dias depois de novos confrontos entre Irã e Israel, que romperam a frágil trégua estabelecida em abril após meses de guerra iniciada pelos ataques israelenses e norte-americanos contra o território iraniano em fevereiro.
Enquanto os EUA intensificam sua presença militar na região, Israel também ampliou os bombardeios contra o sul do Líbano, elevando as tensões com o Hezbollah e dificultando qualquer tentativa de retomada das negociações diplomáticas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã após os ataques de retaliação.
Em publicação na rede Truth Social, afirmou que Teerã “pagará o preço” por resistir às exigências de Washington e declarou que o país estaria sendo levado ao colapso econômico pelo bloqueio naval imposto pelos EUA.
Do lado iraniano, o chanceler Abbas Araghchi afirmou que o país “não deixará nenhum ataque sem resposta” e voltou a defender a retirada das forças militares estrangeiras da região.
Apesar da troca de ataques, setores diplomáticos ainda tentam evitar uma guerra regional em larga escala.
Analistas ouvidos pela imprensa internacional avaliam, porém, que a confiança entre Washington e Teerã atingiu um dos níveis mais baixos desde o início das negociações para encerrar o conflito.
A nova escalada militar também aumenta a pressão sobre a economia mundial. Desde o reinício dos confrontos, o preço internacional do petróleo voltou a subir, enquanto governos da região acionaram alertas de defesa aérea diante do risco de ampliação da guerra para outros países do Oriente Médio.
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