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Veja os principais momentos da entrevista de Lula na Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quinta-feira (27) da série de entrevistas realizadas pelo Jornal Nacional, da TV Globo, com os candidatos ao Palácio do Planalto. O petista, que tenta a reeleição, foi o quarto nome a participar do programa e falou durante 40 minutos aos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos sobre temas como combate à corrupção, escândalo do INSS, segurança pública e dados sobre a economia do país. 

Mais da metade do tempo da entrevista, ou exatos 22 minutos, foram gastos para questionar Lula sobre as investigações em torno de membros de seu governo e também que envolvem seu filho Fábio Luiz da Silva, o Lulinha. Lula reiterou o que tem dito com frequência: deixará que a Justiça faça o seu trabalho sem a sua interferência.

“Tudo que for preciso fazer, no âmbito da polícia e da justiça, para apurar, será dada toda e qualquer garantia”, afirmou. 

Na sequência, Lula apresentou balanço da sua terceira passagem pela Presidência da República, a começar pelos índices econômicos, bem como o trabalho feito junto ao Ministério da Fazenda para reduzir os efeitos das altas taxas de juros do país.  

“Eu herdei esse governo em janeiro de 2023 com déficit fiscal de 2,8%. Você sabe o quanto vai ser o orçamento esse ano? Superávit primário de 0,1%. Portanto, se tem alguém nesse país que tem responsabilidade fiscal, sou eu.”

Lula também deu destaque para o trabalho feito a partir de 2023 no campo da Educação. “E sou o Presidente que mais fiz universidade nesse país, mais fiz institutos federais. Dos quase oitocentos institutos desse país, 80% foram feitos por mim e pela Dilma”. 

A seguir, leia trechos na íntegra das principais falas de Lula na entrevista:

Crescimento do país

“Você acha que o Brasil tá com problema de dívida pública porque nós chegamos a 80%? Sabe por quê? Porque nós estamos há mais de dez anos sem crescer. O PIB só voltou a crescer acima de 2% quando voltei à Presidência da República. Você se esquece que deixei esse país crescendo 7,5% em 2010? E quando voltei, ele estava crescendo 1%.

À medida que você começa a crescer a economia, a dívida começa a cair com relação ao PIB. 80% de dívida não é muito se você olhar para os Estados Unidos, olhar para o Japão, olhar para a Itália.

A mim não me preocupa a dívida pública. Eu herdei esse governo em janeiro de 2023 com déficit fiscal de 2,8%. Você sabe o quanto vai ser o orçamento esse ano? Superávit primário de 0,1%. Portanto, se tem alguém nesse país que tem responsabilidade fiscal, sou eu.”

Educação

“Então deixa eu te dizer uma coisa, Renata: se tem uma coisa que eu tenho orgulho, é que o Brasil nunca teve um presidente da República que cuidasse da educação como eu cuidei. Eu sou o presidente da República que mais colocou aluno em escola de ensino integral. Nós fizemos um pacto com os prefeitos para alfabetização das crianças na idade certa, que a gente previa até 2030 chegar a 80% dos jovens. Chegamos a 66% no 1º ano desse acordo.

E sou o presidente que mais fez universidade nesse país, mais institutos federais. Dos quase oitocentos institutos desse país, 80% foram feitos por mim e pela Dilma. O Ceará e o Piauí são dois estados pobres que têm o melhor nível de educação desse país. Você sabia que 40% dos alunos que passam no vestibular do ITA em São José dos Campos são cearenses? Por isso eu levei o ITA para Fortaleza, como premiação.”

Segurança Pública

“É importante que a gente contribua para informar as pessoas que estão nos assistindo. Na Constituição de 1988, a Constituição aprovou que a segurança pública era responsabilidade do Estado. O governo federal ficou com a Polícia Federal, com a Polícia Rodoviária Federal e com a Polícia Penal. Eu estou discutindo no Congresso Nacional a PEC da Segurança Pública. 

A hora que for aprovada a PEC, eu crio o Ministério da Segurança Pública. Porque primeiro quero estabelecer qual é a participação de cada ente federado na segurança pública. Qual vai ser o papel da União, qual vai ser o papel do estado e qual vai ser o papel do município.

Nenhum governador do Brasil, nenhum, conseguiu resolver o problema da segurança pública. Só vai conseguir se a gente tiver muito investimento em inteligência. É isso que eu quero fazer. Aprovando a PEC, nós vamos criar o Ministério da Segurança Pública, vamos definir qual é o papel da Polícia Federal nos Estados.”

Denúncias de corrupção

“São ilações, ilações, ilações tiradas de telefonemas. Eu conheço isso muito bem porque já vivi isso. O que tenho dito? Não sou do Ministério Público, não sou delegado, não sou juiz, eu sou o Presidente da República e pai do Fábio. Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro que cometer ilícito. 

Não vou afastar o delegado da Polícia Federal, não vou fazer qualquer movimento para que meu filho seja acobertado se ele tiver erro. Como outros já fizeram. Ele sabe o que passei, sabe o que a minha filha passou. Ele sabe que a Marisa morreu por conta da falsa acusação que foi feita na Lava Jato. Portanto, ele tem obrigação de não cometer erros. 

Estou muito tranquilo como Presidente da República. Tudo que for preciso fazer, no âmbito da polícia e da justiça, para apurar, será dada toda e qualquer garantia. Esse é o comportamento do Presidente da República, não é do pai do Fábio, é do Presidente da República, que tem que olhar para 215 milhões de brasileiros em igualdade de condições.

Não haverá, da parte da Presidência da República, um milímetro de movimento para proteger o meu filho. A acusação está feita, a Polícia Federal está investigando. Se tiver que vir prestar depoimento, ele vai prestar depoimento, vai participar dos inquéritos. Se ele for culpado, pagará o preço. Se não for, ele será inocentado”.

Escândalo do INSS

Primeiro, nós já devolvemos R$ 3,5 bilhões aos aposentados. Não tem um aposentado que foi roubado e que não foi devolvido o dinheiro. E esse dinheiro vai ser ressarcido pelos bens que apreendemos da quadrilha. Uma quadrilha que foi montada em 2019, inclusive com a participação do ministro da Previdência daquela época, e passamos dois anos investigando, tanto a CGU quanto a Polícia Federal. 

Investigando, porque se a gente faz a denúncia antes de ter o processo como um todo, a gente trabalharia facilitando para o bandido. E fizemos questão de colocar na cadeia as pessoas. Fizemos questão de pagar e vamos fazer questão de ressarcir os cofres públicos com os bens que apreendemos deles.”