O presidente chinês Xi Jinping recebeu, nesta sexta-feira (10/04) em Pequim, a presidenta do Kuomintang (KMT, o Partido Nacional Chinês), Cheng Li-wun, no primeiro encontro entre um líder do KMT e um mandatário chinês em dez anos.
Na reunião, Xi, que também é secretário-geral do Partido Comunista da China (PCCh), afirmou que a “independência de Taiwan” é “a principal culpada por minar a paz no Estreito de Taiwan” e que não deve ser tolerada nem aceita, segundo a agência de notícias Xinhua. Cheng, por sua vez, reafirmou a oposição do KMT ao separatismo e defendeu que os dois partidos trabalhem juntos pelo “rejuvenescimento nacional”, que, em linhas gerais, na China significa superar o legado de subordinação e mazelas deixado pelo “século da humilhação“.
As mensagens de Xi
Xi Jinping estruturou sua intervenção em torno de quatro princípios para o desenvolvimento das relações entre os dois lados: manter uma identidade nacional comum, defender o desenvolvimento pacífico, ampliar intercâmbios e integração, e trabalhar pelo rejuvenescimento da nação chinesa. A base para tudo isso, reafirmou, é a adesão ao Consenso de 1992 e a oposição à independência de Taiwan.
“Diferenças entre sistemas sociais não podem ser pretexto para separação”, disse Xi. O presidente acrescentou que o reconhecimento de que os dois lados do Estreito pertencem a uma só China é a “questão central” para preservar o que chamou de pátria comum. “Acolhemos quaisquer propostas propícias ao desenvolvimento pacífico das relações entre os dois lados e faremos o máximo para promover tudo o que seja benéfico para esse desenvolvimento”, afirmou.
Xi também invocou o contexto deste ano para reforçar o convite à aproximação: 2025 marca o 160º aniversário do nascimento de Sun Yat-sen, cujas bandeiras de revitalização da China e de reunificação nacional foram citadas como herança comum dos dois partidos.
O presidente chinês disse ainda que a tendência ao “grande rejuvenescimento da nação chinesa” e o “ímpeto para que os chineses dos dois lados do Estreito se unam” não mudará, independentemente das transformações no cenário internacional. A reunião contou com a presença de Wang Huning e Cai Qi, membros do Comitê Permanente do Politburo, o mais alto órgão do PCCh.

Xie Huanchi/XinHua
Os compromissos do Kuomintang
No encontro desta sexta, Cheng Li-wun afirmou que os povos dos dois lados do Estreito “são uma só família” e que o KMT e o PCCh devem fortalecer a confiança política mútua, ampliar intercâmbios em áreas como comércio, cultura e juventude, e trabalhar juntos pela “concretização do grande rejuvenescimento da nação chinesa”, segundo a Xinhua. A dirigente reafirmou que o KMT seguirá se opondo ao separatismo e aderindo ao Consenso de 1992 como base do diálogo entre os dois lados do Estreito.
Ao chegar a Nanjing na quarta-feira (08/04), Cheng já havia dito que “a experiência histórica demonstrou plenamente que, enquanto o Consenso de 1992 for mantido e as forças separatistas forem combatidas, trocas e diálogos podem ser conduzidos através do Estreito”.
O roteiro de Cheng
A visita, realizada a convite do Comitê Central do PCCh e do próprio Xi Jinping, teve início em Jiangsu no dia 7, de onde a delegação seguiu de trem de alta velocidade até Nanjing. Na quarta-feira (8), Cheng Li-wun prestou homenagem no mausoléu de Sun Yat-sen, fundador do KMT e figura central da revolução que pôs fim ao período dinástico na China, enterrado em Nanjing desde 1929.
Em Xangai, a delegação visitou a sede do serviço de entrega de alimentos Meituan, onde a dirigenta conheceu sistemas de entrega por drones, o porto automatizado de Yangshan e o Instituto de Design e Pesquisa de Aeronaves de Xangai, ligado à fabricante da aeronave C919.
Cheng participou ainda de um salão literário com jovens de ambos os lados do Estreito, ouvindo relatos de taiwaneses que estudam ou trabalham na região do Delta do Rio Yangtze.
Tensões com o PDP
Dias antes de Cheng Li-wun partir para o lado continental, o Conselho de Assuntos do Continente de Taiwan declarou que, se ela adotasse qualquer comportamento que “ultrapassasse os limites”, poderia enfrentar pena máxima de cinco anos de prisão. A ilha é governada atualmente pelo Partido Democrático Progressista (PDP), que vem intensificando sua posição separatista nos últimos anos.
O secretário-geral adjunto do Partido Trabalhista de Taiwan, Hsu Meng-hsiang, afirmou, em entrevista à emissora estatal CGTN, que o PDP “teme muito o aprofundamento das trocas entre os dois lados” e que seus avisos contra a visita “apenas expõem sua insegurança”.
Cheng foi eleita presidente do KMT em outubro de 2025. Ela se considera “filha de Yunnan”, porque seu pai, Cheng Ching-hui, que estava do lado dos nacionalistas durante a Guerra de Libertação, é de Puer, na província de Yunnan, na China continental.
A visita da delegação liderada por ela se encerra no domingo (13).
O post Xi Jinping se reúne com líder do Kuomintang e diz que ‘independência’ de Taiwan ‘mina paz’ na região apareceu primeiro em Opera Mundi.