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MPF investiga aliciamento de brasileiras por Jeffrey Epstein

A teia de crimes de Jeffrey Epstein também alcançou o Brasil. Com a revelação de mais de 3 milhões de páginas de documentos do caso pelo Departamento de Justiça dos EUA, foi possível ver o quanto o criminoso sexual implicou autoridades e famosos, bem como a extensão de sua influência.

No Brasil, uma reportagem da BBC News revelou que o bilionário mantinha troca de e-mails pelo menos desde 2006, com uma mulher de Natal (RN).

Na última semana, estas informações chegaram ao Ministério Público Federal (MPF) do Rio Grande do Norte por meio de uma denúncia. Com isso, o MPF passou a investigar o caso e a Unidade Nacional de Enfrentamento do Tráfico Internacional de Pessoas e do Contrabando de Migrantes (UNTC), em Brasília, a acompanhar a situação. As investigações acontecem em sigilo para proteger as vítimas.

A denúncia recebida pelo procurador-chefe Gilberto Barroso de Carvalho Júnior em Natal dá conta de aliciamento e envio de uma mulher da cidade para os EUA para possível prática de atos sexuais com Epstein. Nas mensagens que se tornaram públicas, o magnata, que se suicidou em 2019 enquanto estava preso, trata da organização de transporte da vítima para encontrá-lo e de pedidos por fotos da jovem de lingerie ou biquíni.

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Nos documentos revelados pelo Departamento de Justiça norte-americano há centenas de indicações de que Epstein tinha relações com modelos brasileiras e chegou a empregar algumas como assistentes. A suspeita é de que estas mulheres eram usadas para apresentar possíveis vítimas ao criminoso.

Apesar de serem muitos, os documentos ainda são limitados e não permitem o aprofundamento em cada caso. Porém, é possível observar que o bilionário fala sobre envio de dinheiro às modelos, pede para conhecer outras mulheres, discute visitas ao Brasil, além de solicitar fotos.

Nos Estados Unidos, as investigações acontecem desde 2005, quando surgiram as primeiras denúncias de abuso sexual de menores por Epstein.

Um acordo firmado em 2008, em que o bilionário se declarou culpado e pagou indenizações às vítimas, foi anulado em 2019, por um juiz na Flórida (EUA). Com isso, o abusador voltou para a prisão, posteriormente tirando a própria vida. As acusações apontam que ele mantinha uma rede de agenciamento de garotas para cometer abusos e aliciar outras para irem a seus imóveis e à sua ilha particular no Caribe. Quando morreu, deixou um patrimônio de US$ 577 milhões. A riqueza dele é atribuída à atuação no mercado financeiro e consultorias, porém não é descartada a hipótese de que tenha ganhado dinheiro com a rede de exploração sexual. Pelo menos 250 menores de idade foram abusadas por Epstein, segundo a Justiça dos EUA.

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