
O governo de extrema direita de Donald Trump é atingido pelo mais abrangente atos de protestos nos Estados Unidos desde a reeleição em 2024. Sábado (28) e domingo (29) entrou para a história recente como um dos maiores momentos de contestação popular. Em mais de 3.100 pontos de mobilização espalhados pelos 50 estados, o movimento “No Kings” (“Sem Reis”) reuniu uma frente de organizações progressistas, sindicatos, grupos de defesa de imigrantes, juventude e ONGs de direitos civis, com estimativas de participação entre 5 e 9 milhões de pessoas em todo o país.
Os atos não se limitaram aos grandes centros urbanos, como Washington, St. Paul, Nova York ou Los Angeles; a maioria se concentrou em cidades médias e periferias, comprovando uma rejeição de base, dispersa e capilar, que vai muito além da tradicional “bolha urbana” da esquerda e centro esquerda norte-americana.
A coalizão reúne sindicatos de trabalhadores, organizações de imigrantes, juventudes LGBTQ+, movimentos antirracistas e grupos anticapitalistas. Essa articulação permitiu mobilizar desde bairros operários de Detroit até universidades e capitólios estaduais, construindo uma frente social ampla, que isola os setores conservadores de extrema direita norte-americanos e desafia a popularidade de Trump.
Alta rejeição comprovada nas ruas
Os principais veículos da imprensa norte-americana apontam que, apenas no sábado (28), as manifestações de protestos se espalharam para todos os estados dos EUA, com dezenas de milhares de pessoas em Nova York, mais de 100 mil em Washington e em torno de 70 mil em St. Paul, ao lado de centenas de atos menores em Iowa, Nevada, Texas e em estados históricos do republicanismo. A escala é comparada por analistas a alguns dos maiores ciclos de mobilização da última década, como os protestos de 2017 ou 2020, mas agora com um eixo mais explícito contra o próprio presidente em exercício.
Recentes pesquisas de opinião, conduzidas pela Quinnipiac University, apontam que a aprovação de Trump caiu para em torno de 38%, com 56% de desaprovação – o pior índice durante o segundo mandato. A rejeição é especialmente forte entre independentes e moderados.
No ICE.No war.No Kings. #nokings
“No Kings” e a crítica ao autoritarismo
O nome “No Kings” resume a reivindicação central do movimento: a oposição a um governo visto como autoritário, personalista e antirrepublicano, que concentra poder no Executivo. A condução da política externa e as ações internas do governo Trump levaram os manifestantes à terceira onda de protestos, cristalizando a palavra de ordem NO WAR! NO ICE! – contra a guerra e contra a polícia de imigração de Trump – que tem mobilizado os atos públicos.
As manifestações têm três eixos: contra os ataques ao Irã e a expansão de operações militares sem amplo respaldo do Congresso; a política migratória agressiva, com deportações em massa e operações do ICE marcadas por violência – casos recentes em Minnesota tornaram-se símbolos da repressão; e a percepção de que Trump (e extrema direita conservadora) trata o Estado como extensão de interesses pessoais, sem respeito às regras e rompendo com o equilíbrio democrático.
Bruce Springsteen at No Kings III in St. Paul Minnesota.
— Raider (@iwillnotbesilenced.bsky.social) 2026-03-30T02:57:45.767Z
Artistas, palco e símbolos midiáticos
A presença de figuras da cultura deu visibilidade e força simbólica aos atos. Em Nova York, Robert De Niro discursou na marcha que tomou a Times Square, classificando Trump como “ameaça existencial” às liberdades e à segurança. Ao lado dele estavam o reverendo Al Sharpton e a procuradora-geral de Nova York, Letitia James.
Em St. Paul, o epicentro simbólico, o cantor Bruce Springsteen subiu ao palco no gramado do Capitólio estadual e apresentou “Streets of Minneapolis”, canção nova dedicada às vítimas de operações do ICE. O show reuniu dezenas de milhares e foi destacado como momento emblemático da aliança entre cultura popular e resistência. Jane Fonda também participou de atos do movimento.
Robert DeNiro, Attorney General Leticia James, and Rev. Al Sharpton led the No Kings March in New York City. They marched down 7th Avenue in Manhattan, holding a banner.
— Raider (@iwillnotbesilenced.bsky.social) 2026-03-29T10:25:46.881Z
Repercussão no Brasil: Jandira Feghali e a conexão com a luta contra o autoritarismo
No Brasil, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) repercutiu os protestos nas redes. Em publicação, no sábado (28), Jandira destacou que “nem as fake news sobre a guerra pararam a população dos EUA. Os 50 estados americanos foram às ruas hoje protestar contra Donald Trump! Respeite a soberania das nações!”.
A mobilização massiva como sinal de resistência à “política de rei” e à escalada militarista, especialmente na questão do Irã. A articulação reforça que os “No Kings” não são um episódio isolado: representam um ciclo global de resistência a políticas autoritárias, militarização da política externa e concentração de poder presidencial – debate que reverbera diretamente na esquerda brasileira.
Os protestos do fim de semana entraram para a história como demonstração concreta de que os trabalhadores, jovens e estudantes norte-americanos não aceitam ser governados como súditos. O recado é claro: “No Kings” – o poder pertence ao povo.
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