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Censo: População indígena no Brasil é de 1,7 milhão, aumento de quase 90%

A população indígena no Brasil alcançou 1,7 milhão e 391 etnias, segundo dados do Censo Demográfico 2022. O crescimento é de 88% se comparado com o Censo de 2010, quando havia um total de 896.917 indígenas e 305 diferentes etnias. A maioria deles vive em áreas urbanas (56%).

Entre as 29 etnias com mais de 10 mil pessoas, o maior percentual de pessoas residindo em Terra Indígena é da etnia Yanomami/Yanomán, com 94,34%, seguida da Guajajara (80,28%) e da Xavante (79,5%). A etnia com menor percentual vivendo em Terra Indígena é a Tupinambá, com apenas 1,21%.

São Paulo é a Unidade da Federação com o maior número de etnias (271), seguida por Amazonas (259) e Bahia (233). Foram identificados 86 novos povos e 21 línguas.

Em 2022, havia 295 línguas indígenas faladas por pessoas indígenas com dois anos ou mais de idade. As três línguas com maior número de falantes são: Tikúna (51.978), Guarani Kaiowá (38.658) e Guajajara (29.212). Em 2010, foram identificadas 274 línguas entre os indígenas de cinco anos ou mais.

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Os dados, divulgados nesta sexta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam ainda que as etnias mais populosas são Tikúna (74.061), Kokama (64.327) e Makuxí (53.446).

“O Brasil, quando você olha para outros países da América Latina, tem essa diversidade étnica e linguística. Esse quantitativo expressivo de etnias, esse quantitativo expressivo de línguas faladas (…) Ao mesmo tempo, a gente teve esse grande aumento da população indígena entre 2010 e 2022, de quase 90%. Então, havia muita curiosidade: quem são esses indígenas?”, diz Marta Antunes, gerente de Povos e Comunidades Tradicionais e Grupos Populacionais Específicos do IBGE

Na avalição dela, os resultados destacam as diversas formas de organização social dos povos indígenas e múltiplos fatores devem ser considerados na sua interpretação, como os movimentos migratórios, o processo de urbanização, os processos de autoafirmação e reemergência étnica, que ocorrem quando grupos indígenas voltam a se diferenciar perante outros grupos e a sociedade não indígena.

“São pessoas que se declaravam indígenas, mas não acionavam o pertencimento a uma etnia povo ou grupo indígena específico, mas que ao longo dos anos vêm valorizando esse pertencimento fruto de diferentes processos socio organizativos. Nos últimos anos, fruto também do próprio Censo, isso passa a ser valorizado”, explica Marta.

“Declarar para o IBGE o seu pertencimento àquela etnia passa a ser valorizado. Depois de anos de ocultação para lidar com o racismo, principalmente no contexto urbano, se reúnem condições favoráveis para a declaração do pertencimento étnico”, completa.

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