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Centrais sindicais exigem juros compatíveis com a realidade nacional

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), na última quarta-feira (29), reduziu a taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual, levando os juros de 14,75% para 14,50% ao ano. No dia anterior, as centrais sindicais protestaram em frente à sede do banco na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), em defesa de cortes mais robustos e de mudanças na condução da política monetária, a fim de atender mais de perto aos anseios da classe trabalhadora do país.

A decisão do Copom, no entanto, apenas deu sequência a um tímido corte iniciado no encontro anterior, de abril, e não dá sinais de continuidade, o que é preocupante e pode segurar os juros nesse patamar ainda elevado.

O Portal Vermelho ouviu algumas lideranças de centrais sindicais sobre a escolha da diretoria do BC. Além de serem unânimes na crítica à condução da Selic, os sindicalistas também apontaram unidade pela manutenção dos protestos e cobranças por uma taxa de juros que ande junto com a realidade nacional.

De acordo com o presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Adilson Araújo, o Copom, mais uma vez, frustrou as expectativas da população. Ele reforça as críticas feitas ao presidente do BC, Gabriel Galípolo, durante o protesto das centrais e afirma que o 1º de Maio também será marcado por mobilizações contra os juros altos.

“Vamos aproveitar o 1º de Maio para soltar o verbo, levar uma mensagem de alto e bom som de que essa política de juros altos não apenas prejudica o crescimento econômico, pois compromete também a própria capacidade do Estado de cumprir sua função social. O orçamento é público, mas, lamentavelmente, está sendo capturado por uma política que coloca o Brasil na condição de segundo país com a maior taxa de juros do mundo. Quem perde com isso? Não tenha dúvida: é o povo”, critica.

Nesse sentido, é fundamental a redução dos juros, pois, com crédito acessível, desenvolve-se a força produtiva, a retomada da produção industrial, o fortalecimento das políticas públicas e os investimentos sociais. Assim, é insustentável a manutenção do conservadorismo macroeconômico que corrói a economia nacional.

“O Brasil se constitui literalmente no paraíso do rentismo, dentro de uma lógica de que o Brasil gasta mal e que o custo da Constituição não cabe no orçamento da União. Então, a manutenção dessa política corrobora o discurso dos que advogam interesses particulares, que se alvoroçam com o desejo de transformar os cofres públicos em um banco para satisfazer o bolso do mercado. E vão materializando, a partir das tomadas de posição institucional, a ideia de que é necessário cortar dinheiro do social, sobretudo da educação, da saúde, da moradia popular, da segurança, e por aí vai”, analisa Araújo, ao indicar que cada ponto percentual adicional na Selic representa bilhões de reais retirados de políticas públicas e transferidos ao sistema financeiro.

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O presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah, entende que a decisão do Copom de reduzir a taxa Selic ainda mantém os juros em um patamar inaceitável, muito distante do que o Brasil precisa.

“Esse patamar continua inaceitável, pois mantém freado o crescimento econômico, dificulta investimentos e impede que o país avance com mais força. Juros elevados reduzem o consumo das famílias, encarecem o crédito e afastam novos negócios. Quem mais sofre com isso são os trabalhadores, que veem diminuir as oportunidades de emprego e renda. Defendo uma política de juros compatível com a realidade nacional, capaz de estimular a produção, fortalecer o mercado interno e gerar novos postos de trabalho”, explica Patah.

Por sua vez, o presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Antonio Neto, reforça que, apesar da nova redução, não há justificativa para a Selic estar tão alta, o que ressalta, ainda mais, a necessidade de um projeto desenvolvimentista para o país.

“A redução dos juros é uma sinalização importante, mas muito insuficiente para um país que precisa, mais do que nunca, de um Projeto Nacional de Desenvolvimento. Não há nada que justifique uma taxa de juros neste patamar tão elevado”, avalia Neto.

A presidenta da Nova Central (NCST), Sônia Zerino, corrobora a visão de que os juros têm sido um obstáculo para o investimento produtivo e para os empregos formais, bem como têm sido responsáveis, em grande parte, pelo endividamento nacional.

“Consideramos insuficiente a redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic para impulsionar a economia do país. O juro real permanece extremamente alto, travando o desenvolvimento nacional, dificultando o crédito e penalizando os trabalhadores. O sistema financeiro se mantém com enormes lucros, enquanto a população enfrenta dificuldades para pagar suas dívidas. É preciso continuar a luta contra as elevadas taxas de juros”, convoca Zerino.

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Em nota, o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, destaca que a central considera tímida e insuficiente a decisão do Copom, uma vez que havia espaço para um corte mais expressivo, ao passo que o ciclo de redução foi iniciado com atraso.

“A política monetária adotada nos últimos anos produz efeitos nocivos à economia, pois restringe investimentos, freia a produção e compromete a geração de empregos e renda. Juros elevados encarecem o crédito em todo o sistema financeiro, penalizando diretamente famílias e empresas”, diz Torres, que ainda lembra que a manutenção prolongada da Selic alta é diretamente responsável pelo alto nível de endividamento das famílias.

Já a CUT (Central Única dos Trabalhadores) destaca que os juros reais (já descontada a inflação) continuam entre os mais altos do mundo, o que tem gerado efeitos nocivos nos investimentos e no endividamento público e privado. Segundo o secretário de Assuntos Socioeconômicos da Contraf-CUT, Walcir Previtale, os juros altos têm sido um problema sistemático, potencializado pelo BC.

“Apesar dos registros recentes de recordes de renda per capita e de carteiras assinadas do país, a população segue perdendo grande parte dos seus rendimentos para os bancos, e isso está ligado ao problema estrutural dos juros elevados e do crédito caro, apertado ainda mais com a Selic nessa política monetária”, afirma Previtale.

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