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Desigualdade de renda no Brasil cai, mas concentração de riqueza continua alta

A desigualdade de renda no Brasil apresentou melhora nos últimos anos, mas a concentração de riqueza permanece entre os principais desafios do país, segundo estudo da Oxfam Brasil. O levantamento mostra que indicadores de renda e pobreza avançaram, enquanto uma parcela restrita da população segue concentrando uma fatia significativa dos recursos e do patrimônio nacional. Leia em TVT News.

Os dados dialogam com números recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2024, o índice de Gini caiu para 0,504, o menor resultado da série histórica. O Gini é um indicador que ranqueia entre 0 e 1, e aumenta quanto maior for a desigualdade medida. No mesmo ano, a renda domiciliar per capita chegou a R$ 2.017, alta de 4,9% em relação a 2023.

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Renda do trabalho reduz desigualdade

A melhora dos indicadores está relacionada principalmente ao aumento da renda do trabalho e à redução do desemprego. A combinação de maior ocupação e crescimento dos rendimentos contribuiu para reduzir a distância entre os brasileiros que estão na base e no meio da distribuição de renda.

As políticas de transferência de renda também tiveram impacto. Segundo o IBGE, sem os benefícios sociais, o índice de Gini teria sido de 0,542 em 2024, acima dos 0,504 registrados quando essas transferências são consideradas.

A pobreza também recuou. Entre 2023 e 2024, 8,6 milhões de pessoas deixaram essa condição, enquanto 1,9 milhão saíram da extrema pobreza, de acordo com dados do IBGE. A parcela da população em situação de pobreza passou de 27,3% para 23,1%.

Concentração de riqueza permanece

Apesar da melhora nos indicadores de renda, a distribuição do patrimônio segue muito mais concentrada. A Oxfam chama atenção para a diferença entre reduzir a desigualdade de renda corrente e enfrentar a concentração de riqueza acumulada.

O patrimônio inclui imóveis, investimentos, participações empresariais e outros ativos que podem se concentrar ao longo de gerações. Por isso, mudanças na renda mensal não necessariamente significam uma alteração equivalente na distribuição da riqueza.

O sistema tributário é um dos pontos centrais desse debate. Uma decisão publicada em 2026 reconheceu a omissão do Congresso na regulamentação do Imposto sobre Grandes Fortunas, previsto na Constituição desde 1988. O Supremo Tribunal Federal determinou que o Congresso seja comunicado, mas não estabeleceu prazo para a criação da lei.

Desigualdade também tem recorte racial e de gênero

A distribuição da renda no Brasil também apresenta diferenças importantes entre grupos sociais. Dados do IBGE mostram que pessoas pretas e pardas continuam mais expostas à pobreza do que pessoas brancas. Em 2024, 25,8% da população preta e 29,8% da população parda estavam em situação de pobreza, contra 15,1% da população branca.

As diferenças também aparecem entre homens e mulheres e se reproduzem no mercado de trabalho. Mesmo quando há avanço na escolaridade e na participação profissional, mulheres e pessoas negras continuam enfrentando desigualdades de remuneração e acesso a posições de maior rendimento.

A melhora dos indicadores brasileiros representa uma redução importante das desigualdades de renda, mas não elimina a distância entre os diferentes estratos sociais. O desafio apontado pelos dados é combinar crescimento da renda e redução da pobreza com mudanças mais profundas na distribuição do patrimônio.

Nesse cenário, políticas de emprego, valorização da renda, transferência de recursos e tributação aparecem como instrumentos diferentes para enfrentar o problema. A discussão envolve tanto a capacidade de ampliar os rendimentos da maioria da população quanto a forma como o sistema tributário distribui o peso dos impostos entre diferentes faixas de renda e patrimônio.

A trajetória recente mostra, portanto, dois movimentos simultâneos: a desigualdade de renda recuou e a pobreza diminuiu, mas a concentração de riqueza continua elevada, mantendo o debate sobre tributação e distribuição no centro das discussões econômicas brasileiras.

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