
Durante a realização da COP30, em Belém (PA), o PCdoB promoveu, nesta sexta-feira (14), o seminário: “Não ao Clima de Guerra na Amazônia! Por soberania nacional, autonomia dos povos e desenvolvimento sustentável”.
O ato, mediado pelo presidente do PCdoB Pará, Cléber Rezende, ocorreu no Ginásio Altino Pimenta (Doca) e contou com a presença de lideranças do partido e estudiosos em contribuição aos debates da Conferência sobre mudanças climáticas que acontece na capital paraense até o próximo dia 21.
Na sua intervenção, Vanessa Grazziotin, diretora executiva da OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica) demonstra que a realização da COP30 na Amazônia é uma grande vitória, ao destacar que o mundo passará a conhecer melhor o bioma.
“O povo do mundo precisa conhecer o que é a Amazônia. A Amazônia não é só essa paisagem florestal. Na Amazônia vivem aproximadamente 50 milhões de pessoas, 30 milhões em território brasileiro. E é impensável imaginar um projeto de desenvolvimento sustentável, um projeto que conserve a floresta sem que haja a participação efetiva dessas populações. As que vivem no interior, mas as que vivem nas cidades também”, explica a ex-senadora, ao lembrar que a região é a que os menores índices de esgotamento sanitário do país, assim como a insegurança alimentar atinge acentuadamente a região Amazônica.
Leia mais: Marinho pede transição climática que proteja e qualifique o trabalhador
A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB) afirma que é preciso ter uma ética na relação com o meio ambiente de respeito, parceria, e pertencimento, ao contrário do consumo individual predatório. Para ela, a visão coletiva, no entanto, deve ser calcada no desenvolvimento e na transição energética, financiada pelos recursos do petróleo.
“A floresta não é um santuário, não é um altar. Ela pode ajudar muito a promover o desenvolvimento. Também não cabe ao Brasil, nesse momento, recuar na lida do combustível fóssil. O petróleo ainda é muito importante para o desenvolvimento nacional. O que a gente tem é que usar os recursos do petróleo para desenvolver a Amazônia, para desenvolver a transição energética e ter esse recurso forte para os povos da Amazônia”, defende.
Jandira ainda afirma que os países ricos impõem o modelo deles, mas não oferecem contrapartidas. Nesse sentido, o Brasil deve se espelhar no processo de transição chinesa, já que o país asiático é o que mais investe.
“Ainda não podemos abrir mão do petróleo no Brasil. A gente tem que saber fazer essa diferença, tem que compreender que a floresta, a Amazônia, todos os biomas podem dar muito desenvolvimento, mas com respeito e não com consumo individual e predatório, e não com desmatamento, não com garimpagem ilegal ou outros crimes, não com violência contra os povos originários, contra os ativistas do meio ambiente e ativistas de direitos humanos”, completa.
Leia mais: Marina afirma que petróleo da Margem Equatorial pode financiar transição
Adílson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), reivindica a participação dos trabalhadores no processo de transição energética e alterações nos rumos do Congresso Nacional: “Não há transição [energética] justa sem a participação direta dos trabalhadores e das trabalhadoras. Ademais, não haverá transição justa se a gente também não participar e realizar uma transição política, tão necessária. Nós precisamos construir uma maioria política. Então, precisamos enxergar que aquela bancada denominada BBB [boi, bala e bíblia], que não precisa nem explicar o que é, todo mundo já sabe, tomou de assalto o Parlamento”, diz.
Aldo Arantes, coordenador nacional da Adjc (Associação Nacional de Advogados e Advogadas pela Democracia, Justiça e Cidadania), pontua que o grande debate da COP30 é quem vai pagar a conta das medidas mundiais de mitigação.
“A compreensão de que existe o problema das mudanças climáticas e de que é uma responsabilidade humana, isso é comum. É um segmento muito pequeno de cientistas contrários. O problema está exatamente em quem vai pagar a conta. Os países altamente desenvolvidos não aceitam assumir a responsabilidade de acordo com aquilo que fizeram”, entende o ex-deputado constituinte e membro do Comitê Central do PCdoB, observando que o presidente Lula tem melhorado as discussões sobre o financiamento climático.
Leia mais: COP30 busca tirar o Acordo de Paris do papel
Leny Campelo, vice-presidente do PCdoB Belém, destaca a importância da Amazônia para o Brasil e da posição do partido debate: “É um chamamento para nós, aqueles que pensam o futuro, que estão querendo apontar soluções para uma sociedade igualitária. Essa construção passa por integrarmos o conhecimento científico. Estamos [o partido] à frente do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, garantindo a política e o financiamento para integrar o conhecimento científico com o projeto de desenvolvimento nacional”, ressalta.
Na mesma linha, Tanara Lauschner, reitora da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), ressalta os investimentos do MCTI na região, assim como a criação da Subsecretaria de Ciência e Tecnologia para a Amazônia (Scta), ocupada por Luis Fernandes.
“Além da subsecretaria, também temos um programa estruturante dentro do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia, que é o programa Pró Amazônia. A ministra [Luciana Santos] anunciou mais de meio bilhão para esse programa, mas agora já está somando em torno de um bilhão de reais para investimento em universidades, institutos de ciência e tecnologia, em pesquisa e em empresas inovadoras. Mas o mais importante, o investimento é exclusivo para instituições da Amazônia Legal”, celebra.


Já Rodrigo Moraes (PCdoB), vereador de Belém, fez uma defesa da COP30 no Pará, lembrando que a Conferência irá passar, mas é necessário que o seu legado de desenvolvimento socioeconômico fique e seja integrado para aumentar a geração de emprego e renda.
“Precisamos mostrar que é possível o nosso estado, a nossa região, se desenvolver com soberania, com a participação dos trabalhadores e fazer com que a gente possa preservar o meio ambiente e garantir sustentabilidade para as novas gerações”, frisa.
Por sua vez, Yann Evanovick, presidente do PCdoB Amazonas, apresenta como desafio aos governos de esquerda um maior foco em realizações, além de discursos e passeatas. “Não adianta achar que só se faz política à base do discurso e à base de passeata. Precisamos ir para o lugar do fazer, porque se nós não formos pro lugar do fazer, a extrema direita vai continuar avançando. Tem que ter cursinho popular, lavanderia e biblioteca comunitárias, restaurantes populares. Isso é parte fundamental da luta dos comunistas”, finaliza
O post Em Belém, PCdoB pede: “Não ao Clima de Guerra na Amazônia” apareceu primeiro em Vermelho.