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Front de guerra na Ucrânia já vitimou 16 brasileiros, diz Itamaraty

O ministério das Relações Exteriores confirmou que 16 brasileiros morreram e outros 41 estão desaparecidos após se alistarem nas forças armadas da Ucrânia desde o início do conflito com a Rússia. 

O número pode aumentar nos próximos dias, uma vez que um balanço enviado por autoridades ucranianas ao governo brasileiro aponta para 22 brasileiros mortos e 44 desaparecidos.

O conflito, que se aproxima do quinto ano, é marcado pelo uso intensivo de artilharia de longo alcance, mísseis e enxames de drones, modalidade que tem ampliado a letalidade mesmo longe do confronto direto. 

Nesse cenário, combatentes estrangeiros também permanecem expostos a ataques indiretos constantes.

Os números, atualizados pelo Itamaraty, expõem o avanço das baixas entre cidadãos brasileiros no front e reacendem o alerta consular emitido pelo governo federal contra a ida de nacionais a zonas de guerra.

A divulgação ocorre após reportagem exibida no domingo (9) pelo Fantástico revelar relatos de ex-combatentes brasileiros que afirmam ter sido atraídos por promessas salariais que não se concretizaram. 

Um deles disse que o pagamento anunciado como “R$ 50 mil por mês” correspondia, na prática, a 50 mil grívnias — cerca de R$ 5.800.

Ainda segundo os depoimentos exibidos na TV Globo, brasileiros sem experiência militar relataram dificuldades para deixar o front após o alistamento. 

“Quem tenta fugir, se for pego, é preso e torturado”, afirmou um ex-combatente, ao descrever episódios de violência interna nas unidades em que atuou.

Outro ex-combatente relatou ter perdido 28 quilos durante o período em que permaneceu no front e afirmou ter enfrentado dias sem alimentação adequada. “Nunca servi o Exército. Não tinha nenhuma experiência. Tudo o que eu sei hoje sobre guerrilha, eu aprendi na Ucrânia”, disse.

Procurada pela TV Globo, a embaixada da Ucrânia no Brasil informou que não recruta brasileiros e que os estrangeiros que se alistam assumem os mesmos direitos e deveres de um cidadão ucraniano em serviço militar.

Em nota anterior, o Itamaraty já havia desaconselhado a participação de brasileiros em conflitos armados no exterior e advertido que a assistência consular pode ser limitada diante dos contratos firmados com forças estrangeiras.

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