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Movimento Olga Benario ocupa imóvel abandonado em Guaratuba (PR) para criar Centro de Referência

Movimento Olga Benario ocupa imóvel abandonado em Guaratuba (PR) para criar Centro de Referência

Em resposta aos mais de 1.400 casos de violência contra a mulher registrados apenas no ano de 2025 em Guaratuba (PR), o Movimento Olga Benario transformou um espaço abandonado na Casa Maria Águeda.

Gabriela Torres (PR)


MULHERES – O Movimento Olga Benario realizou uma ocupação de mulheres em Guaratuba, no litoral paranaense. Chamada de Casa Maria Águeda, fica localizada no centro da cidade e tem como objetivo de atender mulheres em situação de violência de toda a região, com o apoio de uma rede de profissionais voluntárias.

A casa foi organizada em um espaço abandonado desde 2019 e que não cumpria função social. A ação compõe uma campanha estadual em memória da vida de Bruna Danielle, mãe e trabalhadora que foi vítima de feminicídio na cidade, no início do ano.

Guaratuba é um dos principais municípios do Paraná, segundo estado com maior número de casos de tentativas de feminicídio no Brasil. Somente em 2025, foram registrados mais de 1.400 casos de violência contra a mulher na cidade. No mês de março, Bruna Danielle, de 28 anos, foi violentamente assassinada pelo ex-companheiro na frente de sua filha de apenas 9 anos. “Bruna era uma trabalhadora do Colégio Estadual Zilda Arns, tinha três empregos para sustentar sua casa e era muito amada por todos ao seu redor. A Ocupação Maria Águeda – por Bruna Danielle vem para denunciar mais um caso de feminicídio nesse sistema de violência e para honrar sua memória”, relata Maria Clara, coordenadora do Movimento.

Vanguarda da luta antirracista

Maria Águeda foi uma moradora da província de Curitiba no século 19 e se tornou uma referência antirracista no Estado do Paraná ao ser a primeira mulher negra liberta a dizer “não” para duas mulheres brancas da elite burguesa que exigiram que Maria buscasse lenha às famílias ricas, durante uma missa na Igreja Matriz da cidade. O tenente-coronel Francisco de Paula Ribas, marido de uma das mulheres, prendeu Maria Águeda e ordenou que fosse amarrada em um tronco pelo pescoço. Apesar da repressão, a negra liberta se manteve firme em sua decisão de defender a liberdade e não se submeter à escravidão, e conseguiu ser solta um dia depois.

Matéria publicada na edição impressa nº 335 do jornal A Verdade