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Resolução política: “Organizar as mulheres para lutar contra o imperialismo e construir o socialismo”

Coordenação Nacional reunida em Recife. Foto: JAV

A Coordenação Nacional do Movimento de Mulheres Olga Benario reuniu-se para debater os impactos das guerras e da crise capitalista na vida das mulheres trabalhadoras.

Movimento de Mulheres Olga Benario


MULHERES – A coordenação nacional do Olga, reunida em Pernambuco durante três dias, com representação de 19 estados e de Portugal representando o trabalho internacional desenvolvido pelo movimento debateu sobre o momento que vivemos no mundo e no Brasil e qual as tarefas do movimento para enfrentar essa realidade. 

Compreendemos que as guerras afetam mais a vida das mulheres: na Ucrânia, com a guerra aumentou a exploração sexual de mulheres e crianças; em Cuba, que tem sofrido um bloqueio econômico do imperialismo estadunidense bloqueando a entrada de petróleo que vinha da Venezuela, há notícias de bebês sem ter aparelhos de respiração disponíveis no hospitais e médicos tendo que bombear ar nas mãos para salvá-los. No Irã, a primeira bomba jogada por Israel foi em uma escola de meninas. 

No nosso país, a guerra aprofunda a crise econômica, com o aumento do custo de vida, o salário mínimo de R$ 1621 não é suficiente para sobreviver. Com cestas básicas que chegam a mais de R$ 800 em grande parte dos estados, o aumento dos aluguéis e das contas, para as mulheres é ainda mais difícil, com a média dos salários das mulheres cerca de 20% a menos do que o dos homens, sendo essas as principais chefes de suas casas e do cuidado de filhos e parentes mais velhos. 

As reformas dos últimos anos nos afetam mais! Com a reforma trabalhista, aumentou o número de trabalhadores na informalidade, e grande parte são mulheres. Já trabalhamos mais de 60 horas na semana e muitas sem carteira assinada, com a reforma da previdência aumentando a idade para nos aposentarmos, a verdade é que não vamos nos aposentar. 

Nessas condições, muitas são obrigadas a permanecer em relacionamentos abusivos e a morar com seus agressores para poder dividir as contas. Por isso, com a crise aumenta-se os casos de violência doméstica e de feminicídios. 

Crise e as guerras são fruto do capitalismo

Compreendemos que vivemos essa crise e a guerra porque vivemos num sistema em que aumenta a riqueza na mão de cada vez menos pessoas, enquanto aumenta a exploração da maioria da população, que a cada dia fica mais pobre, vivendo sob condições cada vez piores, trabalhando em jornadas de trabalho cada vez maiores. Não à toa, de acordo com o IBGE, os 10% mais ricos detém 40% de toda a renda do país e ganham 14 vezes mais que os 40% mais pobres. 

Isso é fruto de um sistema de produção que produz alimentos, casas, roupas, tecnologia, carros, armas para poder enriquecer os donos dessas fábricas, do agronegócio, dos bancos, visando o lucro de uma minoria. Enquanto isso, aqueles que são obrigados a trabalhar pois não detém nenhuma fábrica ou banco, ou seja, são obrigados a vender sua força de trabalho, se vem cada vez mais sem direitos, recebendo um salário de miséria, trabalhando em trabalhos extenuantes, podendo comprar cada vez menos, os produtos que nós mesmos produzimos. 

Assim, as crises de superprodução, em que produzimos aquilo que não podemos comprar, são inerentes desse sistema. O sistema capitalista não produz para que a maioria tenha acesso a alimentação, educação, saúde, moradia digna, cultura, esporte e sim para que os ricos aumentem seus lucros. 

No capitalismo, a solução são as guerras. Na Alemanha, suas fábricas já alteraram sua produção e agora passam a fabricar tanques de guerra e armas. Para enriquecer mais e manter sua dominação, grandes potências imperialistas intervém em países para saquear suas riquezas, essa é a natureza das intervenções na Venezuela, Irã, Palestina. Por isso, a América Latina e o Brasil, ricos em terras-raras, petróleo, minérios e várias outras matérias primas, essenciais para a guerra, estão na mira do imperialismo. 

Guerra eleitoral e nosso papel

Neste ano, enfrentaremos as eleições com os dois pré-candidatos à presidência que aparecem em primeiro lugar nas pesquisas, disputam para ver quem entregará mais riquezas para o imperialismo estadunidense: Flávio Bolsonaro dizendo que se for eleito, entregará as terras-raras à Trump e Lula reafirmando a aliança com o imperialismo, reunindo com Trump, firmando acordos a portas fechadas. 

O atual governo de Lula não apresenta políticas para melhorar a vida do povo. O salário não fecha as contas, não há políticas de enfrentamento da violência contra as mulheres e nem de moradia. O fascista Flávio Bolsonaro está envolvido em escândalos de corrupção do Banco Master e apesar de tentar esconder seu sobrenome, é a proposta dos fascistas para dar seguimento à política de seu pai, que tentou dar um golpe de estado no país e foi responsável por assassinar mais de 700 mil pessoas de COVID. 

Além disso, a maioria dos partidos burlam as leis de cotas com candidaturas de mulheres, negros e indígenas que servem como candidaturas laranjas. Neste cenário de aumento dos casos de feminicídio, de aumento da violência e que as nossas vidas estão sendo as mais afetadas com a crise, queremos uma transformação radical dessa realidade! Queremos poder decidir os rumos do nosso país, pra onde vão as riquezas que nós mesmas produzimos! Queremos que o orçamento do nosso país seja investido em políticas que melhorem as nossas vidas! 

A saída para a crise e as guerras é o socialismo

Por isso, nós do Movimento de Mulheres Olga Benario e da Unidade Popular pelo Socialismo e diversos movimentos de luta do nosso país, lançaram como pré-candidata à presidência do Brasil, Samara Martins, que é militante do Olga e da Frente Negra Revolucionária e vice-presidenta nacional da UP. 

Lançamos a nossa pré-candidatura para lutar para que o salário mínimo seja o dobro, para acabar de vez com a escala 6×1, reduzindo para a escala 4×3; que todos os parlamentarem sejam obrigados a trabalhar na mesma escala que eles aprovarem. “Essas medidas não são utópicas, são possíveis. Vivemos em uma das maiores economias do mundo, o Brasil é muito rico! Hoje metade do orçamento do nosso país vai para os banqueiros, numa dívida pública que todo ano pagamos mais de R$ 3 trilhões, mas que não acaba nunca”, afirma Samara Martins em sua fala na reunião. 

Entre as nossas 18 pré-candidaturas aos governos estaduais, 11 são mulheres e várias delas são do nosso movimento. Lançamos essas pré-candidaturas para ganhar a mente e coração das mulheres do nosso povo que ainda não conhecem o programa socialista. A guerra eleitoral é uma oportunidade de apresentarmos a nossa luta para mais mulheres, filiarmos mais à Unidade Popular e crescermos nossos núcleos. Nos lançamentos à tarefa de triplicar nosso movimento e nossas fileiras porque assim podemos enfrentar a guerra e a crise, com lutas massificadas. 

Nós do Movimento de Mulheres Olga Benario assumimos a tarefa de elevar a consciência política das massas de mulheres e por isso, na campanha nacional de filiação da Unidade Popular pelo Socialismo, do mês de junho, devemos trazer mais mulheres para a luta pela sua libertação, filiando cada uma nesse poderoso instrumento que é a UP. 

Por isso, cada núcleo deve debater sobre o programa socialista para o nosso país e filiar cada mulher ainda não filiada. Cada coordenadora deve levar ficha de filiação da UP para as reuniões, ler o programa da UP nas reuniões e chamar as mulheres a se filiarem; 

Além disso, devemos ampliar a apresentação do nosso programa, do que é o socialismo e apresentar a UP como esse instrumento de luta. Por isso devemos organizar banquinhas de filiação do Olga (semanais, diárias onde for possível), com nossas publicações (cartilha, caderno de formação, livro da Clara Zetkin, panfletos do Olga), jornal A Verdade, varais com fotos das mulheres vítimas de feminicídio, banners de “Mulher, tome partido! Filie-se à Unidade Popular pelo Socialismo”.

Nesse processo chamar as mulheres a participarem dos núcleos da UP-Olga. Compreendendo que se as mulheres puderem participar só de uma, chamar para uma das reuniões, pois os núcleos da UP e do Olga funcionam conjuntamente. Nos núcleos devemos debater as propostas para o território onde o núcleo atua, chamando as mulheres daquele território a fazerem suas propostas. As propostas aprovadas nos núcleos serão apresentadas para as coordenações do Olga e diretórios da UP para serem defendidas por nossas pré-candidatas do respectivo estado.

Núcleo é pra lutar e crescer

Companheiras, com as contradições do capitalismo, na sua fase imperialista, se aprofundando, temos como consequência o conjunto da classe trabalhadora, sobretudo as mulheres, sofrendo com o desemprego, baixos salários, fome, falta de moradia e violência. A única alternativa que as mulheres têm é construir um poderoso movimento de massa revolucionário para construir uma nova sociedade, o socialismo e o Movimento de Mulheres Olga Benario deve ser essa organização de combate.

Os núcleos para organizar as mulheres em seu local de moradia ou trabalho abrem portas para realizar as lutas pelas necessidades imediatas e na luta pelo poder de forma diária, sistemática e contínua. Em fevereiro, realizamos os encontros territoriais nos estados, com o objetivo de implementarmos isso em cada bairro, vila, favela, empresa e fábrica, pois só o trabalho cotidiano poderá desenvolver as lutas, elevar a formação das mulheres e torná-las dirigentes revolucionárias, principalmente crescer entre as amplas massas das mulheres trabalhadoras. Nos primeiros cinco meses do ano, realizamos diversas jornadas nacionais de luta, porém verificamos um crescimento de somente 8% em números de mulheres que passaram a se organizar de janeiro a maio deste ano. Verificamos também o importante desenvolvimento de nosso trabalho internacional, onde hoje temos dois núcleos e 38 mulheres organizadas.

Para podermos crescer e continuarmos nos desenvolvendo, não podemos negligenciar a tarefa da autossustentação, pois somente com poder material superior ao do capitalismo derrotaremos esse sistema econômico em decadência. Devemos superar a consciência localista, nosso movimento é nacional e os estados necessitam de acompanhamento periódico para se desenvolver politicamente.

Devemos planejar e efetivar as iniciativas financeiras nos estados e envolver todos os militantes, para assegurar os serviços necessários e garantir nossas lutas e o pagamento dos compromissos com o caixa nacional, através da cota financeira, avançando nosso trabalho na luta pela tomada do poder.

Matéria publicada na edição impressa nº 335 do jornal A Verdade