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Italianos rejeitam reforma judicial de Meloni e derrotam ultradireita

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, sofreu nesta segunda-feira (23) a primeira grande derrota política de seu governo, com a rejeição da reforma do Judiciário defendida por sua coalizão de ultradireita em referendo nacional. 

Com 53,7% dos votos para o “não” e participação de 58,9%, o resultado transformou uma proposta apresentada pelo Executivo como “modernização institucional” em revés direto para a premiê, que se engajou pessoalmente na campanha.

A consulta confirmou a derrota de uma das principais apostas políticas de Meloni desde sua chegada ao Palazzo Chigi, em 2022. 

A reforma alterava sete artigos da Constituição italiana e previa a separação definitiva das carreiras de juízes e promotores, a divisão do Conselho Superior da Magistratura em dois órgãos distintos e a criação de uma Alta Corte disciplinar.

A oposição, setores da magistratura, sindicatos e comitês da sociedade civil trataram a proposta como uma tentativa de enfraquecer a autonomia do Judiciário e alterar o equilíbrio entre os poderes do Estado. 

O “não” avançou com mais força nas grandes cidades, no sul do país e entre os jovens, expondo a vulnerabilidade política de Meloni em um momento de antecipação do clima eleitoral na Itália.

O resultado consolidou uma vantagem expressiva do “não”, que somou 53,7% dos votos (14,4 milhões), contra 46,3% do “sim” (12,4 milhões), abrindo uma diferença de cerca de 2 milhões de votos. A participação chegou a 58,9%, uma das mais altas em referendos confirmativos desde 1946. 

O “não” venceu na maior parte do território nacional, incluindo regiões governadas pela direita, e se impôs com ampla margem nos principais centros urbanos, como Nápoles (75%), Roma (mais de 60%), Milão (cerca de 58%) e Florença (aproximadamente 67%).

O desempenho do “sim” ficou concentrado em áreas do Norte, como Lombardia, Vêneto e Friuli, sem conseguir avançar nas grandes cidades nem nas regiões mais populosas. 

O recorte etário também assustou o governo de extrema direita de Meloni: mais de 60% dos eleitores com menos de 35 anos votaram pelo “não”, enquanto o apoio à reforma se mostrou relativamente mais forte entre os eleitores mais velhos, indicando um desalinhamento geracional diante da proposta defendida pelo governo.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Meloni não disfarçou a decepção com o resultado e afirmou que “os italianos decidiram e nós respeitamos essa decisão”.

O secretário-geral da Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL), Maurizio Landini, avaliou que houve “uma participação muito grande” e afirmou que o resultado reforça o papel do voto como instrumento central da democracia. Segundo ele, o referendo indica que o país não aceita mudanças na Constituição e exige sua aplicação integral.

Landini também destacou que a defesa da autonomia e da independência da magistratura é condição para o funcionamento democrático, afirmando que “a lei é igual para todos”

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