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Operação Unha e Carne mira pré-candidato ao Senado no RJ

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (7), a sexta fase da Operação Unha e Carne, ampliando as investigações sobre as conexões entre agentes públicos, crime organizado e esquemas de lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro. Um dos principais alvos é o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil), pré-candidato ao Senado com apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL) e apontado como um dos principais nomes do campo bolsonarista para as eleições deste ano. Saiba mais na TVT News.

Também são alvo da operação o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil durante o governo de Cláudio Castro (PL), além do ex-policial militar Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, apontado em investigações anteriores como líder de milícia na Baixada Fluminense. Ao todo, a PF cumpre 19 mandados de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense.

Segundo a corporação, a investigação apura uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis da Região Metropolitana para lavar dinheiro proveniente de atividades ilícitas. Um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que o grupo movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.

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Além das buscas, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas aos investigados. De acordo com a Polícia Federal, os envolvidos poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e outros crimes que venham a ser identificados ao longo das investigações.

Alvos incluem ex-secretário da Polícia Civil e suspeito de liderar milícia

Entre os investigados está o delegado Marcus Amim, que comandou a Polícia Civil do Rio entre outubro de 2023 e agosto de 2024. Sua nomeação para o cargo exigiu alteração na Lei Orgânica da Polícia Civil, permitindo que delegados com menos tempo de carreira pudessem assumir a chefia da corporação.

Antes disso, Amim já havia recebido a Medalha Tiradentes, maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), por iniciativa do então deputado estadual Márcio Canella.

Outro alvo é o ex-PM Juracy Alves Prudêncio, o Jura. Ele foi citado no relatório final da CPI das Milícias da Alerj, em 2008, como chefe de um grupo paramilitar que atuava em municípios da Baixada Fluminense. No ano seguinte, foi condenado por homicídio e associação criminosa.

A operação também mira o inspetor da Polícia Civil Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. Segundo a PF, ele seria o verdadeiro controlador de uma extensa rede de postos de combustíveis registrada em nome de terceiros. Durante as diligências desta terça-feira, agentes apreenderam armas, joias, dinheiro em espécie e veículos de luxo em um dos endereços investigados.

As investigações integram a Força-Tarefa Missão Redentor II e são conduzidas no âmbito das determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que determinou o aprofundamento das apurações sobre as relações entre organizações criminosas e agentes públicos no estado.

Investigação amplia crise política no bolsonarismo fluminense

A nova fase da Operação Unha e Carne atinge diretamente um dos principais aliados do senador Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro. Canella deixou a Prefeitura de Belford Roxo em abril para disputar uma vaga no Senado na chapa apoiada pelo parlamentar e pelo PL.

Em vídeo divulgado no início de abril, Flávio Bolsonaro declarou apoio público ao ex-prefeito, classificando-o como “amigo” e afirmando estar “100%” comprometido com sua candidatura.

Nos bastidores da direita fluminense, porém, a operação provocou nova onda de incertezas sobre a composição da chapa majoritária. Nos últimos meses, outros nomes estratégicos do grupo político também passaram a ser alvo de investigações.

O ex-governador Cláudio Castro desistiu da candidatura ao Senado após operações da Polícia Federal relacionadas a outro inquérito. Antes dele, o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, que era apontado como favorito para disputar o governo do estado, foi preso, posteriormente cassado e afastado das articulações eleitorais.

Segundo reportagens da imprensa, dirigentes do PL passaram a discutir alternativas para substituir Canella caso a investigação avance e produza novos desdobramentos. Entre os nomes citados nos bastidores aparecem os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, além do senador Carlos Portinho.

A operação também repercutiu entre parlamentares da oposição ao bolsonarismo. O ex-deputado Marcelo Freixo (PT) afirmou nas redes sociais que Canella e Marcus Amim são aliados de Flávio Bolsonaro. Já os deputados federais Pastor Henrique Vieira (PSOL) e Talíria Petrone (PSOL) relacionaram a investigação ao grupo político que hoje busca construir o palanque do senador no estado.

Operação já alcançou políticos, magistrados e empresários

Deflagrada em dezembro de 2025, a Operação Unha e Carne começou investigando o vazamento de informações sigilosas de operações policiais que teriam beneficiado integrantes do Comando Vermelho.

Ao longo de suas fases, a investigação passou a atingir diferentes setores da estrutura política e administrativa do Rio de Janeiro. Entre os alvos estiveram o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, o deputado estadual Thiago Rangel e, na quinta fase, o pastor e empresário Márcio Poncio, investigado por suposta ligação com a chamada Máfia do Cigarro.

As apurações também identificaram planilhas atribuídas ao contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como um dos chefes do jogo do bicho no estado. Segundo a Polícia Federal, os documentos registrariam pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras relacionadas à lavagem de dinheiro, além de possíveis repasses a agentes políticos fluminenses.

Na etapa anterior da operação, um dos alvos de busca foi o empresário Fernando Trabach Gomes, proprietário de uma rede de postos de combustíveis que abasteceu grande parte da frota utilizada na campanha de reeleição de Cláudio Castro ao governo do Rio em 2022. A PF investiga se as empresas ligadas ao empresário integrariam o esquema financeiro agora apurado.

Até o momento, a Polícia Federal informou que as investigações prosseguem para identificar a origem dos recursos movimentados, a participação de agentes públicos e eventuais novos integrantes da organização criminosa. As defesas dos investigados citados na operação não haviam se manifestado até a publicação desta reportagem.

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