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PCdoB aponta 2026 como batalha pela soberania

A eleição de 2026 será, na avaliação apresentada pela direção do PCdoB no novo episódio do Entrelinhas Vermelhas, mais do que uma disputa entre candidaturas. O pleito é tratado como um momento decisivo para definir os rumos do desenvolvimento, da democracia e da soberania brasileira.

No programa desta quinta-feira (20), apresentado pelo jornalista Inácio Carvalho, a presidenta interina do PCdoB, Nádia Campieão, discutiu a estratégia do Partido para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a atuação da bancada comunista no Congresso e os desafios da militância diante da força da extrema direita e da disseminação de desinformação nas redes sociais.

A entrevista também contou com a participação do jornalista André Cintra, editor adjunto do Portal Vermelho.

A discussão parte da resolução aprovada pelo 16º Congresso Nacional do PCdoB, segundo a qual o país estaria diante de dois caminhos antagônicos: a afirmação da soberania nacional, associada à reconstrução e a um novo ciclo de desenvolvimento, ou o retorno da direita e da extrema direita, em um cenário descrito pelo partido como de regressão neoliberal e perda de autonomia.

Para Nádia, a tarefa eleitoral está diretamente ligada à possibilidade de transformar as realizações do atual governo em uma agenda de novos avanços. A reeleição de Lula, nesse sentido, é apresentada pelo PCdoB como condição para aprofundar políticas públicas e avançar em reformas estruturais.

“Brasil pronto para mais”

Um dos principais desafios apontados na entrevista é traduzir o debate político nacional para questões concretas da vida cotidiana. Nádia citou medidas do governo Lula que, segundo ela, devem ser apresentadas durante a campanha como exemplos de mudanças capazes de alcançar diretamente os trabalhadores.

Entre elas está a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais, aprovada pelo Congresso a partir de proposta do governo. A dirigente também destacou a discussão sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, bandeira histórica do movimento sindical e trabalhista.

A estratégia, segundo Nádia, será associar essas medidas a uma agenda de futuro. O lema “Brasil pronto para mais”, adotado pela aliança em torno da candidatura de Lula, é interpretado como uma síntese dessa perspectiva: ampliar investimentos em educação, saúde, segurança pública, desenvolvimento e defesa.

A campanha, portanto, deverá combinar balanço do governo e apresentação de um novo programa. Para o PCdoB, o argumento eleitoral não deve se limitar à defesa do que já foi realizado, mas mostrar ao eleitor o que poderá ser feito em um eventual novo mandato.

Soberania ganha centralidade na disputa

A dimensão internacional da eleição também ocupou espaço central no debate. Questionada por André Cintra sobre o papel do Brasil no cenário geopolítico, Nádia afirmou que a disputa de 2026 envolve uma escolha sobre o grau de autonomia que o país pretende manter diante das grandes potências.

Na avaliação da dirigente, as pressões exercidas pelo governo de Donald Trump contribuíram para tornar mais evidente a discussão sobre soberania. O PCdoB defende uma política externa independente e um Brasil capaz de formular seus interesses nacionais sem se subordinar a determinações externas.

Nádia também relacionou a eleição à disputa entre democracia e autoritarismo. Ao comentar o cenário eleitoral, fez críticas ao campo bolsonarista e apontou como possibilidade de um eventual governo de Flávio Bolsonaro uma agenda de anistia aos envolvidos nos atos golpistas, além de conflitos institucionais com o Supremo Tribunal Federal.

Nesse enquadramento, a disputa eleitoral aparece simultaneamente como uma escolha sobre democracia, direitos sociais e humanos e inserção internacional do Brasil.

Bancada comunista busca transformar atuação em votos

Outro eixo da entrevista foi a estratégia do PCdoB para manter e ampliar sua representação na Câmara dos Deputados. Segundo Nádia, o Partido pretende reeleger seus atuais parlamentares e aumentar sua bancada federal.

A dirigente defendeu que a campanha precisa recuperar junto aos eleitores a memória da atuação dos parlamentares durante os últimos quatro anos. Ela citou particularmente a deputada Jandira Feghali como exemplo de uma atuação que, na avaliação do Partido, combina presença no Congresso, defesa dos direitos sociais e enfrentamento de pautas que considera contrárias aos interesses nacionais.

A tarefa, porém, não seria apenas eleitoral. Para Nádia, a bancada comunista representa uma parte da sustentação política do governo Lula e pretende atuar na construção de um eventual novo ciclo de desenvolvimento.

O Partido também destaca sua participação nas alianças com Lula desde 1989, apresentando essa trajetória como elemento de continuidade política e de identidade perante o eleitorado.

Militância como força de campanha

A entrevista ressaltou ainda um componente que o PCdoB considera decisivo: a militância. Nádia afirmou que a organização partidária pretende combinar a atuação dos candidatos com o trabalho de base de seus militantes, especialmente diante de um ambiente marcado por fake news, frustração política e forte polarização.

Para a dirigente, a diferença está na capacidade de conversar diretamente com a população, explicar propostas e responder à desinformação. Ela destacou sindicalistas, mulheres, jovens e militantes partidários como agentes importantes dessa disputa.

O ato de lançamento da campanha de Lula em São Bernardo do Campo, realizado no domingo, foi citado como demonstração dessa capacidade de mobilização. Nádia estimou entre 35 mil e 40 mil participantes na atividade na Vila Euclides e afirmou que a presença de diferentes forças políticas demonstraria disposição para a campanha.

Na avaliação apresentada no programa, a mobilização não se limita ao entusiasmo eleitoral. Ela estaria associada a uma agenda política definida, marcada pela defesa da soberania, da reindustrialização e de um projeto nacional de desenvolvimento sustentável.

A disputa política também passa pelas redes

André Cintra introduz outro desafio da campanha: a disputa no ambiente digital. Redes sociais, produção de conteúdo, fake news, discurso de ódio e manipulação da informação passaram a integrar de maneira permanente a luta política.

A questão colocada a Nádia é como transformar as plataformas digitais em espaços de diálogo e mobilização, e não apenas em ambientes de confronto e intolerância.

A dirigente destaca que a presença nas redes deve ser entendida não apenas como instrumento eleitoral, mas como parte da própria atividade política contemporânea. Uma inevitabilidade. “Quem não participa através das redes, não participa de algo essencial. Precisamos disputar essa atenção discutindo com competências os temas que preocupam as pessoas”.

Nádia foi otimista ao incentivar a militância a entrar nessa campanha com confiança na possibilidade real de vitória. Para ela, há muitos motivos para entusiasmo nesses dias decisivos: Lula tem uma aliança de sete partidos de militâncias muito dispostas, com palanques estaduais fortes, contra o adversário sozinho em seu partido. “O presidente Lula esta com um vigor danado e vira um gigante em campanha”.

O episódio, assim, coloca no centro do debate a tentativa do PCdoB de conectar três dimensões da eleição de 2026: o balanço das realizações do governo Lula, a disputa por um projeto nacional de desenvolvimento e soberania e a capacidade de mobilização política em um ambiente cada vez mais marcado pela disputa digital.

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